Fernando Cunha Olinto nasceu no Rio de Janeiro, em 1932, parte de uma família tradicional de grandes pediatras brasileiros: seu avô, Olympio Olinto, e seu pai, Mário Olinto, foram, respectivamente, patriarca e mentor da Pediatria brasileira, além de presidentes da Sociedade Brasileira de Pediatria. As famílias Olinto, Moncorvo e Barbosa formaram os pilares da origem da Pediatria brasileira. Fernando Olinto deve ter aprendido a ser médico, observando as rotinas de seu pai e de seu avô. A referência profissional paterna seguramente influenciou sua opção pela Pediatria.
Fernando Olinto formou-se em 1956 pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e logo começou a Residência no Instituto Fernandes Figueira, coordenada por seu pai. Desde cedo militou na Sociedade Brasileira de Pediatria e, ao final da Residência, combinou sua vida de pediatra com a atenção à Cardiologia.
Com quatro anos de formado já era cardiologista interino da Prefeitura do Distrito Federal (na época, o antigo estado da Guanabara, capital do País) e pediatra do Instituto Fernandes Figueira. Lá, atuou intensamente no Centro de Estudos Olinto de Oliveira, inicialmente como bibliotecário e depois ministrando cursos. Seus dois primeiros artigos publicados abordaram questões ligadas à Cardiologia. Aos poucos, Cardiologia e Pediatria se combinaram harmoniosamente em sua prática profissional. A insuficiência cardíaca na infância e a frequência cardíaca em lactentes normais foram suas grandes preocupações científicas.
Depois de formado, ampliou a participação na SBP. Foi segundo secretário entre 1962 e 1963, e na gestão seguinte chegou a primeiro secretário. Em 1964, foi aprovado no concurso do Instituto de Cardiologia da Secretaria Estadual de Saúde e Assistência. Com pouco mais de 30 anos de idade, Fernando Olinto já trabalhava nas três instâncias do sistema de saúde pública do Brasil: federal, estadual e municipal. Foi professor na Uerj e na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Com o passar do tempo, Fernando Olinto se tornava, cada vez mais, um cardiologista infantil. No Instituto Fernandes Figueira passou a chefiar o Gabinete de Eletrodiagnóstico e Fisioterapia; na SBP e na American Academy of Pediatrics integrou o Comitê de Cardiologia Infantil.
Na década de 1970, continuou sua trajetória de sucesso. No serviço público atendia pacientes e formava pediatras, e na SBP ministrava os Cursos Nestlé de Atualização Pediátrica em Maceió, Porto Alegre, Aracaju, Belém e Teresina. Em 1974, chegou à Vice-Presidência da SBP, na chapa liderada por Júlio Dickstein. No mandato seguinte foi eleito presidente, dedicando-se especialmente à organização do concurso para Título de Especialista em Pediatria (TEP). No total, dedicou mais de 30 anos de sua vida à Sociedade Brasileira de Pediatria.
No Instituto Fernandes Figueira, presidiu a Comissão Diretora do Curso de Pediatria e representou a instituição em diferentes fóruns acadêmicos. Foi um dos representantes brasileiros no Congresso do Conselho das Organizações Internacionais de Ciências Médicas promovido pela da Organização Mundial da Saúde, e nos Congressos Latino-Americano e Pan-Americano de Pediatria. Foi membro das Sociedades de Pediatria da República Dominicana, Argentina, Peru, Chile, Uruguai, Espanha e Itália. Em 1983, presidiu a Comissão Organizadora do Simpósio Internacional de Pediatria realizado no Rio de Janeiro, em nome da International Pediatric Association (IPA).