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Por que falar de Gravidez na Adolescência?

Publicado/atualizado: janeiro/2025

Presidente: Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo

Secretária: Tamara Beres Lederer Goldberg

Membros: Benito Lourenço, Darci Vieira da Silva Bonetto,Ligia de Fátima Nóbrega Reato,  Lilian Day Hagel, Maria Inês Ribeiro Costa Jonas,  Marluce Barbosa Abreu Pinto

  • Por que acontece  a gravidez na adolescência ?

Alguns motivos devem ser considerados, como a falta de diálogo, franco, claro e sincero, falta de informação e conscientização sobre sexualidade, sobre direitos sexuais e reprodutivos; falta de uma rede de apoio social e de acesso ao sistema de saúde. Além desses, colabora a falta de educação adequada para que estes adolescentes sigam seu desenvolvimento de forma saudável.

  • Existem outras causas para o número elevado de gestações entre adolescentes?

Sim. Falta de um projeto de vida e expectativas de futuro, educação insuficiente, pobreza, famílias disfuncionais, abuso de álcool e outras drogas, além de situações de violência e a ausência de proteção efetiva às crianças e aos adolescentes, uso inadequado de métodos contraceptivos. É importante considerar as questões emocionais, psicológicas e sociais.   Entretanto, em muitas situações a gravidez é desejada, como uma resposta ao meio que a circunda, como forma de exercer a sexualidade, de ser respeitada e aceita socialmente, sendo a maternidade seu projeto de vida.

  • Existem riscos maiores para os bebês de mãe adolescente?

Sim. Ocorre maior propensão de prematuridade, bebês pequenos para idade gestacional ou com baixo peso,  principalmente quando as mães têm menos de 15 anos;  não respirar de imediato ao nascer;· doenças congênitas;·dificuldades na amamentação, levando à interrupção e a erros alimentares;·cuidados inadequados no domicílio ou contexto familiar, como negligência ou abandono, além da presença de animais muito próximos ao bebê, higiene precária, falta de saneamento básico (água tratada e esgoto); falta de acompanhamento com pediatra, agendamento de consultas para avaliação do bebê de forma irregular , e falhas no esquema de vacinação.

  • Adiar a vida sexual é um método seguro para evitar a gravidez ?

Compreende-se que postergar as relações sexuais pode ser uma escolha saudável para os adolescentes, desde que seja uma decisão deles e não uma imposição, respeitando-se seu direito à autonomia. Embora teoricamente protetoras, as intenções de abstinência geralmente falham. O adolescente vive em ebulição hormonal,  curiosidade e estímulos sexuais intensos e estimulados pela sociedade e pela mídia. Recomenda-se, portanto, oferecer um amplo leque de informações sobre diferentes métodos contraceptivos e deixar a escolha para os principais envolvidos.

  • O pediatra, ou o médico de adolescentes ou da família, pode prescrever métodos contraceptivos?

Sim, desde que devidamente habilitado. A contracepção constitui parte dos direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens, estando respaldados pelos princípios de proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, art. 98) e sua prescrição está embasada em normas técnicas do Ministério da Saúde. Além disso, o código de Ética Médica, artigo 74, garante o sigilo a paciente menor de idade, inclusive nas questões sexuais, estando vedada  ao médico a revelação, desde que  não apresente risco de vida grave para esse/essa adolescente.

  • O que são contraceptivos?

Contraceptivos são métodos utilizados para evitar a gravidez. Atuam impedindo a fecundação. Cabe aos familiares e adolescentes conhecerem e discutirem os diferentes métodos contraceptivos, o que auxiliará na escolha individual e do(a) parceria. Existem métodos  hormonais e não hormonais. Entre os não hormonais, encontram-se os métodos comportamentais, os mecânicos e os de barreira. Dentre os hormonais, encontram-se produtos sintéticos à base de hormônios femininos, estrogênio e progesterona.

  • O que são métodos hormonais?

Os contraceptivos hormonais são métodos para prevenção da gravidez à base de produtos sintéticos de hormônios femininos: o estrogênio e a progesterona. Alguns desses métodos combinam os dois hormônios, enquanto outros têm apenas a progesterona. Eles podem ser usados via oral, injetados, inseridos na vagina, aplicados à pele ou implantados sob a pele.

  • O uso da tecnologia (aplicativos) poderia orientar também sobre uma gravidez precoce?

A utilização dos benefícios da tecnologia também se torna importante, uma vez que para os jovens a era digital é natural e facilmente aceitam inovações. Atualmente existem lembretes digitais que minimizam o esquecimento dos anticoncepcionais orais e o uso de aplicativos, como os que auxiliam no controle do ciclo menstrual e do período fértil

  • Quais são as recomendações finais para evitar gravidez na adolescente?

Todos os adolescentes têm o direito de obter informações adequadas sobre o uso de contraceptivos e de escolher o método que lhes é mais adequado; A dupla proteção (contraceptivo e camisinha) devem estar sempre associados. A anticoncepção de emergência deve ser usada somente após relação sexual desprotegida (também quando houve violência sexual e falha no uso de camisinha) e não deve ser usada com frequência. Quando houver ruptura da camisinha ou erro ao usar o contraceptivo, o médico deve ser procurado o mais urgente possível. As adolescentes devem ser acompanhadas, periodicamente, pelo médico de adolescentes (hebiatra), pediatra, médico da família e ginecologista.   

  • Quais são os possíveis efeitos colaterais dos contraceptivos hormonais?

A maioria das mulheres não apresenta efeitos colaterais significativos, e, caso ocorram, provavelmente desaparecerão depois de alguns meses. Se durarem mais de três meses, recomenda-se procurar o médico que faz seu acompanhamento. Pode ocorrer ganho de peso, dor de cabeça, seios doloridos, menstruação irregular, alterações de humor, menor desejo sexual, náuseas. Efeitos colaterais também podem estar relacionados com a aceitação da vida sexual e com sintomas emocionais.