Leite materno salva vidas: é o alerta da SBP na Semana Nacional de Doação de Leite Materno


“A doação de leite materno salva vidas, especialmente a dos bebês prematuros”. Esta é a fala da presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Elsa Giugliani, ao discorrer sobre o tema. No último domingo (19) foi celebrado o Dia Nacional de Doação de Leite Humano.

A data foi instituída pela Lei nº 13.227/2015 e criada a partir da mobilização de representantes de 23 países integrantes da Rede Mundial de Bancos de Leite que utilizam tecnologia brasileira no processamento e controle de qualidade do leite humano ordenhado. O objetivo é sensibilizar a sociedade para a importância do leite humano para o bom desenvolvimento da criança.

“As mulheres que amamentam muitas vezes não sabem que é possível doar leite sem prejudicar a oferta de leite ao seu próprio filho. A produção de leite de uma lactante depende da demanda. Se a mulher amamenta seu filho e doa leite, ela terá leite para as duas coisas. Inclusive, pode incorporar a retirada de leite para doação na sua rotina diária, sem dificuldades” enfatiza dra. Elsa Giugliani.

LEITE HUMANO - A pediatra reforça ainda a importância que o leite humano tem para o aumento da sobrevida dos bebês prematuros. “O aleitamento materno protege os bebês de infecções e fortalece a criança, por exemplo”, elenca. Para dra. Elsa a participação dos pediatras nessa ação de conscientização da sociedade acerca da doação é fundamental.

“Existe uma desinformação muito grande a respeito desse assunto e o pediatra é o médico que está sempre em contato com a família e pode avisá-los sobre os bancos de leite e sua importância, chamando a mulher para participar dessa ação. É importante reforçar também que não se deve doar ou receber leite de doação individual, ou seja, sem passar pelos processos de detecção de agentes indesejáveis no leite doado”, declara.

INFORMAÇÕES – Segundo dados da Rede Global de Bancos de Leite Humano, somente entre   janeiro e maio de 2019, mais de 64 mil crianças já receberam doação de leite humano e mais de 54 mil mulheres já realizaram a doação. A região Sudeste registra a maior taxa de doação (20.965), enquanto a Região Nordeste foi a maior receptora (19.714).

Anualmente, o Ministério da Saúde produz uma campanha em prol da doação de leite materno, na qual contém mais informações sobre assunto e materiais de divulgação para serem espalhados por todo o País. O lema desse ano é “Doe leite materno, alimente vida” e todo o material pode ser encontrado CLICANDO AQUI.

PROCESSO – Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Para doar, é preciso ser saudável, não tomar nenhum medicamento incompatível com a amamentação, não fumar mais de 10 cigarros por dia, não beber álcool ou usar drogas ilícitas e realizar exames como hemograma completo e anti-HIV, quando o cartão de pré-natal não estiver disponível.

A doação atende a critérios de prioridades. Na lista, estão, por ordem: recém-nascidos prematuros ou de baixo peso que não sugam; recém-nascidos infectados, especialmente com enteroinfecções; recém-nascidos em nutrição trófica; recém-nascidos portadores de imunodeficiência; recém-nascidos portadores de alergia a proteínas heterológas; e casos excepcionais, a critério médico.

Vale destacar que a doação ajuda quem recebe, mas também a mulher que doa. A ordenha evita ingurgitamento mamário, conhecido popularmente como leite empedrado, e outros problemas da mama puerperal na mulher que tem um grande excedente lácteo. Os pediatras precisam estar preparados para orientar as mães doadoras.

ABAIXO, UMA SÉRIE DE RECOMENDAÇÕES DO DEPARTAMENTO CIENTÍFICO DE ALEITAMENTO MATERNO DA SBP PUBLICADAS NO SITE PEDUATRIA PARA FAMÍLIAS: