SBP aborda amamentação continuada e desmame em guia prático de atualização

O Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou o Guia Prático de Atualização sobre “Aleitamento materno continuado versus desmame”. No texto, os especialistas afirmam que não há um limite máximo estabelecido para o término da amamentação. “Avolumam-se as evidências científicas sobre o impacto positivo do aleitamento materno prolongado na saúde da criança e da mulher que amamenta”, destaca o documento.

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O Guia cita diversas evidências científicas que embasam a recomendação da prática para a prevenção da mortalidade e morbidade por doença infecciosa, além dos benefícios para os desenvolvimentos orofacial e cognitivo, a saúde materna, o controle do sobrepeso/obesidade e, até mesmo, para o fator econômico.

“O papel protetor da amamentação contra mortes de crianças menores de 5 anos já está bem documentado, tanto para países de média e baixa renda, como para os de alta renda. Estimativas recentes sugerem que o aleitamento materno ótimo, ou seja, de acordo com a recomendação internacional, poderia prevenir cerca de 12% das mortes de crianças menores de 5 anos a cada ano, ou cerca de 820 mil mortes em países de média e baixa renda”, afirmam os especialistas.

O Guia prático aborda ainda os fatores que facilitam ou servem de obstáculos ao aleitamento materno continuado, entre os quais as crenças; o uso de chupeta; cultura da mamadeira e estilo de vida; apoio do marido e familiares; e o trabalho materno.

PAPEL DO PEDIATRA – Para a SBP, é dever dos pediatras apoiarem as mulheres e suas famílias para que o aleitamento materno seja bem-sucedido, se esse for o seu desejo. Para isso, é preciso ter conhecimentos básicos sobre o tema, adotar atitudes favoráveis a essa prática e possuir certas habilidades, dentre as quais uma comunicação efetiva.

Os especialistas apresentam alguns itens importantes para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento e que podem nortear o trabalho dos pediatras nesse sentido. Entre eles constam: ter uma visão ampliada do aleitamento materno; aconselhamento; incentivar consulta pediátrica pré-natal; e incluir, sempre que possível, os pais, avós e outras pessoas significativas nas consultas.

Eles também orientam os pediatras para não prescrever, desnecessariamente, fórmulas infantis nas maternidades; não recomendar, desnecessariamente, a introdução dos alimentos complementares antes dos seis meses de idade da criança; e não recomendar ou sugerir o desmame enquanto a dupla mãe/bebê não estiver pronta.

“Cabe aos profissionais de saúde, sobretudo aos pediatras, promoverem, protegerem e apoiarem as mães, os bebês e as famílias a praticarem a amamentação continuada até o desmame natural, se assim for o seu desejo. Este é um desafio que deve ser enfrentado com conhecimento, atitudes positivas e habilidades, como a de saber ouvir as mães, as crianças e as famílias, estando atento às suas necessidades” finaliza o documento.

O Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP é composto pelas dras. Elsa Regina Justo Giugliani (presidente); Graciete Oliveira Vieira; Carmen Lúcia Leal Ferreira Elias, Claudete Teixeira Krause Closs, Roberto Mário da Silveira Issler, Rosa Maria Negri Rodrigues Alves, Rossiclei de Souza Pinheiro e Vilneide Maria Santos Braga Diégues Serva.